26.5.10

O suspirar das contrações.


Percebo como o terror está vencendo os bons sentimentos em nossa vida quando noto o quão natural e aceitável são as expressões de raiva, e ao mesmo tempo tão abusivas e assustadoras são as expressões de amor.
Se ao sentir saudades de um amigo os nossos olhos lacrimejam e nosso coração aperta, por qual motivo expressar isso é visto como um exagero, um sentimentalismo barato? Se ao nos apaixonarmos por alguém sentimos uma felicidade e um desejo que transforma esta experiência em maravilhas caleidoscópicas, por qual razão é somente visto como adequado expressar isso como se víssemos o outro por detrás de vidros puídos e embaçados, com receio de parecermos cafonas, ou acabar assustando o outro já ressabido destas "sinceridades".
Dizem que hoje em dia amar é clichê, mas o correto não seria pensar que dizer que "Eu te amo!", ao invés de ser clichê, é que é efetivamente um clichê?
Quando é que o amor virou o excesso, o tolo, o criminoso, o aleijão, e que o ódio virou o aceitável e o justificado? Temos medo da sinceridade, por isso é mais fácil aceitar a agressão do que a compreensão.
Temos medo do que sentimos, e mais medo do que sentem em relação a nós, pois estamos sendo constantemente bombardeados por mensagens que dizem que não devemos ser o que somos, mas sim devemos buscar ideais, padrões, herois...
Esquecemos então que somos perfeitos em nosso próprio 'eu', que somos nosso próprio Deus, e que temos capacidades extraordinárias sendo bloqueadas por estes filtros sociais que vivem dizendo que somos todos iguais, e se somos todos iguais como o próximo pode gostar de mim se eu mesmo não gosto?
"Sou fraco, me odeio, aceito o teu ódio, tenho medo do teu amor."
É triste que esta seja a sensação dominante nesta sociedade com tantas verdades e poucos sentimentos.
Seja o que bem expressas, pois assim não terás medo do teu belo reflexo nos olhos de quem te olha com carinho e atenção.
~ Ismael Alberto Schonhorst ~

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