6.6.11

Manifesto do Valor da Arte 'Besta'


Roger L. Taylor em seu livro ‘Arte, uma inimiga do povo’ demonstra que houve muito pouco tratamento genuinamente materialista da arte. Ele faz isso examinando-a como uma prática social e então comparando a descrição materialista resultante dela aos tratamentos Marxistas de assunto. Ele começa mostrando que a arte, como uma categoria, precisa ser distinta da música, pintura, escrita etc. O uso atual do termo arte trata a mesma como uma subcategoria destas disciplinas; uma categoria que a diferencia em parte na base dos valores percebidos da obra. Nisso, os filmes de Jean-Luc Godard são considerados arte, enquanto os de Charles Brand não são. Este uso do termo, distinguindo-se entre diferentes gêneros cinematográficos, gêneros literários, etc, apareceu no século dezessete ao mesmo tempo que o conceito de ciência. Antes disso, o termo artista era usado para descrever também aos cozinheiros, sapateiros, estudantes das artes liberais, etc.
Quando o termo surgiu nesta sua significação moderna, ele era uma tentativa em partes da aristocracia para assegurar os valores de sua classe contra objetos de ‘honra irracional’. A arte foi equacionada com a verdade, e esta verdade era o ponto de vista da aristocracia, um ponto de vista que seria rapidamente abolido pela ascensão da classe burguesa. Como uma classe revolucionária, a burguesia desejou assimilar a ‘vida’ da declinante aristocracia. Porém, desde que as atividades da burguesia serviram fortemente para abolir os modelos anteriores de vida, quando ela se apropria do conceito de arte ela simultaneamente o transforma. Suas belezas mais ou menos cessam de se equilibrar com a verdade, e passam a se associarem com o gosto individual. Como arte desenvolvida, ‘a insistência da forma e do conhecimento da forma’ e ‘o individualismo’ são amalgamados para emprestar ‘autoridade’ ao conceito como um ‘particular, envolvente, modelo mental da nova classe dominante’.
Assim, ao invés de ter validade universal, a arte é um processo que ocorre dentro da sociedade burguesa, levando a uma ‘reverência irracional por atividades que se adequam às necessidades da burguesia’.
Este processo pressupõe ‘a superioridade objetiva das coisas apontadas como arte, e, assim, a superioridade das formas de vida que as celebram, e do grupo social que está envolvido’. Isso se resume a uma afirmação de que a sociedade burguesa, e a classe dominante dentro dela, é ‘de alguma forma comprometidos com uma forma superior de conhecimento’. A partir disso podemos deduzir que a arte continuará a existir como uma categoria especializada até que o próprio capitalismo seja abolido. Portanto, quem quer realmente entender tanto de cinema quando da nossa sociedade atual, deve rejeitar a categorização de arte em suas exclusividades elitistas e se envolver de forma sincera também com os prazeres proletários dos filmes populares, como os feitos pelos diretores Rogério Sganzerla e John Waters.

~ Ismael Alberto Schonhorst ~

Um comentário:

Anarcofagico disse...

Apreciei a divulgação do anarcofagia feita anteriormente.