31.3.10
Coma com os Olhos: Ovos de Páscoa
29.3.10
28.3.10
Fotos raras de Pelé
Clique para ver os álbuns - Pelé: A Legend Looks Back ; Pelé Away From the Pitch (fotos dos bastidores, com a Xuxa por exemplo, ou tocando violão) ; Never-Seen: Pelé's 1966 World Cup .
Sobre a vírgula
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação."
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Ps: Apesar de que, nesses 100 anos de Brasil, foi mudado bem mais que uma vírgula...
25.3.10
O Fantástico Mundo de Fantástico Morales
Animação "fantástica" criada por Jossie Malis e produzida pela Zumbakamera. Lisergia pura, de muito bom gosto - este curta-metragem é um piloto para uma série de animação que nunca saiu do papel. Espero melhor sorte, adoraria ver tais desenhos.
Fantástico Morales é um homem que tem estranhos poderes com seu fluído nasal. Como consta na própria descrição do vídeo.
Clique aqui! para ver no Youtube.
Café no Papel
Sua obra está em seu site: Café No Papel. Há também um Flickr.
24.3.10
Agrotóxicos de Brinde
Vi no maravilhoso e instrutivo blog Brasil 1984, do qual adaptei o título deste post também.

Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio.
O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas.
Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.
Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.
As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo, tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.
E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.
Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.
Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.
Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.
Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado."
23.3.10
E se o mundo tivesse 100 pessoas...
O PortalCab trouxe este post com belo design do blog do artista Toby Ng, que por sua vez inspirou-se neste vídeo institucional da ONU (acima), propaganda que ganhou o Cannes Lions.
A ideia é simples, como o mundo seria se tivesse apenas 100 pessoas. Certos dados são impressionantes, outros mesmo revoltantes. A riqueza deveras está nas mãos de pouquíssimos, e a própria ONU (bastante "relativa" em certos pontos) assume.
Então Toby pegou a ideia do vídeo e fez ilustrações com outros dados na mesma fórmula: Dinheiro, HIV, Comida, Ar, Energia, Língua, etc. Um exemplo é a ilustração abaixo:

'Se o mundo fosse uma vila de 100 pessoas:
Dinheiro -
6 pessoas teriam 59%
74 pessoas teriam 39%
20 pessoas dividiriam 2%
Por fim, tanto o vídeo quanto as ilustrações são muito reflexivas, valem a pena serem vistos.
21.3.10
Quase Cientistas
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Quase Cientistas:
A astronomia é uma das áreas do conhecimento mais beneficiadas pelo trabalho de amadores. Observadores anônimos descobrem novos corpos, como meteoros e supernovas, e fornecem dados fundamentais para as pesquisas sobre o espaço.
Noite escura e céu aberto. É o que basta para Marcelo Domingues montar seu observatório particular - um telescópio com uma câmera acoplados a um computador - no quintal de sua casa, no Grande Colorado, em Brasília.
Sentado numa cadeira de praia, o servidor público de 38 anos passa cerca de cinco horas observando a imensidão do espaço sideral. É dali que ele registra imagens dos objetos astronômicos que mais o atraem, os cometas. "É como um vício. O meu começou com a passagem do cometa Halley, em 1986. Porém, só aos 31 anos consegui montar todo o meu equipamento e observar sistematicamente os cometas. Não vou parar nunca", conta.
Domingues é um dos milhares de astrônomos amadores existentes no Brasil. Divididos por gostos, mas unidos pela paixão pelos mistérios do Universo, esses homens e mulheres são na sua maioria anônimos que levam a sério o hobby de estudar o espaço. Alguns se dedicam apenas a fotografar ou a acompanhar cometas e meteoros, como é o caso de Marcelo. Outros preferem sair à caça de supernovas e galáxias próximas. O fato é que todos os tipos de observação acabam contribuindo de forma efetiva para a ciência.
Enquanto os profissionais precisam escrever um projeto e conseguir apoio financeiro para pagar o aluguel de um observatório profissional, no qual permanecem por dois ou três dias, os amadores têm a possibilidade de observar o espaço a qualquer momento, durante o ano inteiro, se quiserem.
"Dessa forma, eles acabam reunindo uma quantidade muito maior de dados sobre alguns objetos astronômicos ou até revelando supernovas, ou mesmo a órbita de um asteroide", diz Augusto Daminelli, astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP).
Um exemplo dessa contribuição foi a descoberta de uma supernova feita pelo Grupo Brasileiro de Busca de Supernovas (Brass, na sigla em inglês), formado apenas por amadores. A nuvem brilhante era exatamente o objeto de estudo de Daminelli. "Esse grupo amador me trouxe dados que, talvez, eu jamais conseguiria obter. São estrelas com mais de 300 anos que ajudam a contar a história do Universo. Algo importantíssimo", revela o especialista da USP. "Isso demonstra a importância do diálogo entre amadores e profissionais."
Segundo Daminelli, diversos asteroides, cometas, estrelas e supernovas têm sido descobertos por amadores, enquanto os profissionais realizam os estudos mais aprofundados sobre a natureza desses objetos. O que, para Tasso Napoleão, membro da Brass, fortalece o diálogo e ajuda à ciência.
"Astrônomos amadores são parceiros dos profissionais. Além disso, a ciência não se constrói com uma pessoa. O que fazemos são pequenos avanços com a colaboração de todos. Nossa remuneração é ver nossas descobertas publicadas nos artigos dos astrônomos profissionais", conta, entusiasmado, Napoleão, também presidente da Rede de Astronomia Observacional do Brasil (REA-Brasil), outra organização de observadores amadores.
Reunidos em grupos ou mesmo solitários, esses dedicados estudiosos compram, montam e até criam seus próprios equipamentos de observação. "Com o avanço da tecnologia e, consequentemente, seu barateamento, conseguimos montar observatórios com câmeras de alta sensibilidade, telescópios de alto alcance e computadores com softwares para processar os dados", explica Cristovão Jacques, que faz parte do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (Ceamig).
Jacques, 47 anos, é engenheiro civil e físico. Foi ele quem desenvolveu o telescópio do observatório amador mineiro, que fica na Serra da Piedade, a 60km de Belo Horizonte. Sozinho, ele descobriu 16 asteroides - 13 deles só em 1999, quando surgiu o Ceamig. "Observo o espaço desde os 14 anos, quando fiquei fascinado pelo brilho da Estrela d'alva (o planeta Vênus). Escolhi os asteroides porque eles são mais acessíveis à observação amadora e têm necessidade de serem investigados", justifica.
Asteroides, meteoros e cometas são os únicos objetos astronômicos que o descobridor pode nomear. "À minha primeira descoberta, dei o nome de Wykrota, sobrenome do casal que fundou nosso observatório. Mas também tem o asteroide Marcos Pontes, em homenagem ao primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço", conta Jacques.
Tantas descobertas deram ao engenheiro civil credibilidade. Hoje, ele participa do grupo internacional amador ligado à Agência Espacial Americana (Nasa) que patrulha o espaço em busca de imensos asteroides (com mais de 10km de diâmetro) que possam ameaçar a Terra. Além disso, Jacques faz parte da REA-Brasil e da Brass.
Contemplação
Entre os astrônomos amadores, há aqueles que preferem apenas contemplar solitários o Universo. É o caso de Paulo Cacella. O engenheiro elétrico e servidor do Banco Central foi o primeiro brasileiro a descobrir uma supernova, de um jeito quase improvável: sem querer. Cacella vasculhava o espaço quando lembrou-se de uma das primeiras galáxias que fotografou quando comprou o CCD (aparelho que captura imagens do computador). Logo no primeiro registro, notou uma pequena estrela próxima ao núcleo da galáxia. ''É uma supernova'', disse a si mesmo.
A posição era suspeita, mas era preciso conferir todas as demais hipóteses. Poderia ser um asteroide, uma estrela da Via Láctea superposta na imagem ou mesmo um defeito no equipamento. O que Cacella não sabia era que aquela era uma supernova desconhecida e que ele era o primeiro astrônomo a vê-la. ''Astronomia, sonhos, desejos, imagens, estética, prazer e música são drogas mais poderosas que qualquer química inventada pelo homem'', diz Cacella, tentando descrever o que sentiu no instante de sua descoberta.
Já o servidor público Wilton Ferreira da Costa, 52 anos, observa o céu há 29 e ainda não teve a sorte de descobrir algum objeto. Sua paixão são os asteroides pequenos.
"Conhecemos muito pouco os de pequeno tamanho. A estimativa é que possam existir mais de 1 milhão, com cerca de 1km de diâmetro. Há muito a ser descoberto", afirma. Costa acrescenta que a astronomia torna as pessoas mais humildes quando se deparam com os mistérios e a grandeza do espaço. "Observar o céu nos leva a ter uma melhor noção da imensidão do Universo e da beleza dos seus objetos, além da mecânica celeste que os envolve. A cada observação, fico igualmente impressionado, como da primeira vez. Contudo, o mais impressionante é saber o quanto somos pequenos diante de toda essa imensidão."
(Silvia Pacheco)
18.3.10
The Head
Animação desenhada a mão ,quem fez foi Mateus Vigiliano , deu até vontade de comprar um caderno e tentar a sorte.
Também no
http://parquerama.com/home_en.htm
Passarinhos , de Marcos Prado
piem na minha janela
façam uma serenata para mim esta noite
eu preparo as pipocas
e a mesa com frutas
vocês cantam e comem
eu bebo e danço
se a canção for triste
choramos todos juntos
se for alegre,barulho!
os vizinhos que se fodam
caso eles dindon
eu abro a porta:”entrem”
se não quiserem
cagamos na cabeça deles
e recomeçamos
na mesma nota
quando amanhecer,eu sei,
vocês tem trabalho
podem ir,mas já estão convidados
para a noite que vem
e podem trazer o resto da turma.
16.3.10
Curta-metragem: A Luz da Vida
The Light of Life from daihei shibata on Vimeo.
Este curta-metragem é fantástico. Usando da ideia da bioluminescência o diretor Daihei Shibata impressiona com suas luzes fosforescentes. Como o próprio Daihei diz na sua página do Vimeo, “a vida ilumina a si mesma, e então começa a iluminar novas vidas”, numa tradução livre minha.
Fotografia muito bonita, som não-diegético "Clair de Lune". Então me resta sempre a dúvida: o making-of. Queria vê-lo, mas não achei. Entretanto o resultado é maravilhoso e vale a pena ver.
Lembrando que vi primeiro no Sedentario.org, que por sua vez viu no Motiongrapher.
15.3.10
CMI: EUA - Dinheiro para Guerras mas não para Educação, Saúde e Trabalho
Post de divulgação do Centro de Mídia Independente:
Revoltante para o povo estadunidense, e de ensino aos outros povos do que se passa na atual potência mundial, que alguns dão por em crise, outros dizem que seu reinado ainda durará muito. As questões acerca dessa política capitalista quase que pura, afetam enfim todos os países.
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Esse parece ser o "lema" do governo dos EUA. Depois de mais de um ano de discussão sobre a "Reforma da Saúde", a opção de criar um sistema de saúde público que atenda toda a população está fora de cogitação. Nos EUA existe o MEDICARE, um sistema público que atende apenas pessoas acima de 65 anos de idade ou algumas pessoas com deficiência com idade inferior a 65, ou seja, 40 milhões de uma população de 308 milhões. O resto ou paga (caro) por um seguro de saúde privado ou faz parte dos 15% da população que não possuem nenhum tipo de cobertura (pública ou privada). De acordo com um estudo feito pela "The American Journal of Medicine" em 2001, 62% dos casos de falência nos EUA acontecem por causa de dívidas relacionadas com atendimento médico.
Deixando o 'lobby' de lado (dinheiro que as seguradoras 'doam' para campanhas de políticos que, por coincidência, sempre acabam votando nas opções que beneficiam tais seguradoras), uma das razões levantadas pelo congresso de que era impossível ter um sistema de saúde público que atendesse toda a população era o custo de tal sistema. Estima-se um aumento de US$128 bilhões de Dólares no orçamento para saúde para ter um sistema que atenda todos as pessoas sem seguro de saúde. Ou seja, 0.8% do PIB nacional seria usado para isso. E com a desculpa de que não existe dinheiro, de que o país está em crise e não é momento para aumentar os gastos do Estado, essa proposta não foi pra frente.
Agora vamos dar uma olhada no orçamento para o Departamento de Defesa deste ano: "O presidente Barack Obama enviou hoje ao Congresso uma proposta de orçamento de defesa 663,8 bilhões dólares para o ano fiscal de 2010. A solicitação de orçamento para o Departamento de Defesa (DoD) inclui 533.8 bilhões dólares em posição de autoridade discricionária do orçamento para financiar programas de defesa de base e US$ 130 bilhões para apoiar as operações de emergência no exterior, principalmente no Iraque e no Afeganistão." Houve um aumento de US$ 20 bilhões em relação ao orçamento do ano passado (2009).
Com a crise econômica e o eterno aumento nos gastos com 'defesa' (o custo das guerras no Afeganistão e Iraque desde 2001 já ultrapassaram US$900 bilhões de Dólares), os estados e municípios cortam cada vez mais os seus orçamentos para os setores de educação, transporte, saúde etc. Na Califórnia, os cortes no setor de educação vem provocando aumentos abusivos nos custos de matrículas, demissões, encerramento de atividades extra-curriculares, aumento de alunos nas salas de aula, entre outras coisas. No final do ano passado, ocorreram várias manifestações contra esses cortes, dentre elas a ocupação do prédio de administração da faculdade de Berkeley em Setembro, manifestações organizada pelos professores nas ruas de Los Angeles e outras manifestações em campus da Universidade da Califórnia por todo o estado.No dia 24 de Outubro do ano passado foi realizada uma conferência na Universidade de Berkeley, onde participaram mais de 800 representantes de estudantes e trabalhadores do setor de eduacação de todo o estado. Nessa conferência foi lançado um chamado por um dia de Greve e de Ação para o 4 de Março de 2010. Centenas de escolas de toda a Califórnia reagiram ao chamado e realizaram ações de protesto contra os cortes catastróficos, demissões e o aumento da matrícula dos cursos. Em San Francisco mais de 20 mil pessoas marcharam até a porta da prefeitura, a marcha contou com a presença de estudantes (primário, secundário e universitário), pais, professores e apoiadores da sociedade civil.
No final do ano passado a Universidade da Califórnia anunciou um aumento de 32% na tarifa de matrícula. O valor é absurdo, um exemplo seria o custo da matrícula na Universidade da California de Santa Cruz que subiu para US$12.000 Dólares. A faculdade, City College, anunciou o encerramento de todo o seu programa de verão devido aos cortes, essa faculdade é a única opção para os jovens de baixa renda conseguirem ter acesso a um ensino superior. Sem uma opção pública de ensino superior e com o aumento nas taxas de matrículas e cortes no orçamento, o ensino superior torna-se um sonho impossível para centenas de milhares de jovens, na Califórnia.
Na última semana de Fevereiro, foi anunciado a demissão de mais de 900 professores e funcionários de escolas primárias e secundárias de San Francisco. Isso faz parte de um plano de corte no orçamento para as escolas de San Francisco de US$113 milhões de Dólares, mais de 25% do orçamento. Enquanto isso, desde 2001, a cidade de San Francisco repassou para o orçamento que mantém as guerras no Iraque e Afeganistão mais de US$3 bilhões de Dólares.
Ainda citando como exemplo a cidade de San Francisco, além dos cortes no setor de educação há também os cortes no transporte, que já provocou um aumento nas passagens no ano passado (passou de US$1,75 para US$2 Dólares a passagem) e que aumentará novamente em Maio deste ano para US$2,50 Dólares. Além disso, a cidade planeja também diminuir a quantidade de veículos circulando no transporte público.
E não podemos deixar de mencionar os dados sobre as pessoas desempregadas nos EUA. De acordo com o Bureau of Labor Statistics para o ano de 2009 o número de desempregados é de 14,2 milhões.
E o que fez o governo federal para resolver a crise econômica? Entregou entre US$9 trilhões e US$11 trilhões de Dólares para os banqueiros e aumentou o orçamento para as guerras (que está ligado ao aumento de tropas no Afeganistão promovido por Barack Obama). É por isso que as pessoas que marcharam no dia 4 de Março contra os cortes no setor de educação, marcharão também no dia 20 de Março contra as guerras. Para o dia 20 de Março estão sendo organizadas grandes manifestações em San Francisco, Los Angeles e Washington DC contra as guerras, que levam como lema "Dinheiro para Educação, Saúde e Empregos e não para as guerras". Não precisa ser nenhum 'expert' para entender que todas essas políticas de cortes estão relacionadas aos gastos infinitos com guerras e 'táticas de defesa da democracia' dos EUA, que incluem o aumento de bases militares na América Latina (Colômbia), a reativação da Quarta Frota, a militarização do Haiti e ações indiretas como o apoio ao golpe de estado em Honduras.
Links: Bay Area Latin America Solidarity Coalition | ANSWER Coalition
14.3.10
No play Rosie And Me - Telescopes
também no
http://www.myspace.com/rosieandme
http://www.rosieandmemusic.com/brasil.html
12.3.10
Direito de Resposta de Brizola para a Globo
Vídeo histórico que muitos já devem ter visto, onde Leonel Brizola consegue através da justiça que a Rede Globo exponha seu direito de resposta através de uma carta lida por Cid Moreira no Jornal Nacional. A carta fala por si só, chega a ser engraçado! O direito de resposta se deu porque a Globo no mesmo JN chamou-o de senil. E como vocês devem ter visto no doc postado recentemente 'Além do Cidadão Kane', a Globo de longa data criticou e até manipulou contra Brizola. Este, venceu nas eleições, e venceu mais uma vez neste vídeo. Memorável.
Clique aqui! para ver no Youtube.
Post Scriptum: já tinha visto o vídeo faz anos, mas relembrei dele no ótimo blog Brasil1984
11.3.10
Rodrigo Sotero: Ilustrações, Fotografias, Design
Junto com seu email para ganhar uma das contas do Making Off, o qual realmente ganhou, percebi que em sua assinatura tinha um flickr e um blog.
A curiosidade foi demais e então descobri que o mesmo fazia ótimas iustrações, bastante artísticas, e logo na resposta do email pedi se poderia postar aqui sua obra. Com a autorização, faço questão de divulgar a quem interessar possa. Cliquem nos dois links, pois ambos possuem grande acervo do trabalho do nosso navegante.
Exemplo de fotografia:

E ilustração:

Post Scriptum: Qualquer navegante pode e deve divulgar sua obra aqui no Barco. Basta comunicar-se por email.
9.3.10
Jornalista: A Melhor Profissão do Mundo
Publicado no Observatório da Imprensa. E visto por mim no site Profissão: repórter.
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"Há uns cinqüenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar."
"Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram."
"O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido

"O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a idéia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe. Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício. Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário. Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro. O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde. Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Indias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade - reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras - sob a direção de um veterano da profissão."
"A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de vôo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."
8.3.10
Juana Inés de la Cruz
"Sor Juana Inés de la Cruz foi uma mestiça Mexicana, poetisa, religiosa. Por entender que não teria acesso ao conhecimento, resolve tornar-se monja, sem vocação. Foi muito criticada por seus escritos, e por dedicar-se a saberes profanos como: a literatura (décimas, sonetos e villancicos), a música, o teatro (com peças na língua nahuatl e castelhano) e também a astronomia. Submete-se à Igreja, designando-se em seu pedido de clemência como “La peor de todas”. Morreu em 1695 no México, tendo sido a última dos grandes escritores do Século de Ouro." Dirce Perin, baseada na Wikipedia
Como exemplo de uma poesia de Juana:
En perseguirme, Mundo, ¿qué interesas?
¿En qué te ofendo, cuando sólo intento

poner bellezas en mi entendimiento
y no mi entendimiento en las bellezas?
Yo no estimo tesoros ni riquezas;
y así, siempre me causa más contento
poner riquezas en mi pensamiento
que no mi pensamiento en las riquezas.
Y no estimo hermosura que, vencida,
es despojo civil de las edades,
ni riqueza me agrada fementida,
teniendo por mejor, en mis verdades,
consumir vanidades de la vida
que consumir la vida en vanidades.
Em perseguir-me, Mundo, que interessas?
Em que te ofendo, se só procuro
pôr beleza em meu entendimento
e não meu entendimento nas belezas?
Eu não aprecio tesouros nem riquezas;
e assim, sempre me causa mais alegria
pôr riquezas em meu pensamento
que meu pensamento nas riquezas.
E não creio na formosura que, vencida,
é despojo civil das idades,
nem riqueza me agrada, enganosa,
tendo por melhor, nas minhas verdades,
consumir inutilidades da vida
que consumir a vida em inutilidades.
(Tradução livre: Dirce Perin)
Pode-se saber mais em:
PAZ, Octavio. Sor Juana Inés de la Cruz y las trampas de la fe. Barcelona, 1982.
Há também um filme sobre esta poeta religiosa, conhecida como a 'pior de todas'. O link da primeira parte no Youtube está aqui!, entretanto as legendas são em inglês. O filme é de 1990, dirigido pela argentina Maria Luiza Bemberg.
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Post Scriptum: quem souber onde conseguir um huipil, favor comunicar a mim.
Ps 2: copiando Juana;
Em perseguir-me, Anaphylaxxya, que interessas?
Em que te ofendo, se só procuro
pôr beleza (que me traz) em meu entendimento (e nos dos navegantes daqui).
Brincadeira, hahahaha. Para os bons navegantes, as duas poesias trazidas desde o polêmico dia, bastam. Afinal como nos traz Juana, vamos consumir as [in]utilidades da vida, e não a vida em inutilidades.
Ps 3: 700ª postagem.
Ps 4: vencedores das contas do Making OFF: Luana Cabral e Rodrigo Sotero.
7.3.10
Último Discurso de Chaplin em 'O Grande Ditador'
Discurso esse que retira por completo a brincadeira que reina todo o filme, de sarcasmo com o Fuhrer, e traz à tona palavras sinceras a serem ouvidas pela humanidade (isso em 1940), de apelo amoroso e anti-belicista, mas infelizmente pouco ouvidas... não só pelos alemães, quanto por estadunidenses. Portanto, façamos a vontade de Chaplin e mostremos tanto a cena final, quanto o texto desta. Leiam e aprendam.
"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, os gentios, os negros, os brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"
4.3.10
Poesia: Tabacaria, de Álvaro de Campos (het. Fernando Pessoa)
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
15-1-1928
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