19.8.12

Any Day Now (2012)


Um homem arrebatado pela bebedeira do cotidiano se encontra em um
local ao mesmo tempo tão familiar e tão distante. Precisa reencontrar o
seu orgasmo interior. Não importa mais como. Ele tem apenas vontade
de se sentir vivo! Explosivo! Any day now!

"O curta mais impressionante deste ano no circuito alternativo de cinema brasileiro." Paulo Francis

"Eu sempre sonhei com um curta que fosse ao mesmo tempo clipe, então fiz Thriller e Smooth Criminal. Any Day Now é a evolução do meu sonho!" Michael Jackson

"Pornografia para a geração moderna!" J.G. Ballard

"Life is a Killer." William S. Burroughs

Direção: Ismael A, Schonhorst
Produção: Ana Júlia Galvan
Atores: Yuri Cunha, Gabriel Schmidt, Ismael A. Schonhorst e Ana Júlia Galvan
Trilha Sonora: Os Legais - Any Day Now
Músicos: Amauri Penteado, Alejandro Gutierrez, Gurcius Gewdner , Hans Konesky, Iuguru Magnor, J.W. Kielwagen, Marcius Gewdner, Marcuccelli Caldatto e Nietzsche Star divididos entre uma gama incrível de instrumentos diversos e fantásticos.

!!

14.8.12

Os Legais - Any Day Now (Teaser 2)



Mais sensual! Mais arrebatador! Mais horripilante! Eis o segundo teaser do clipe que será hit no verão do Vietnam. Contemplem! E não percam dia 19 o lançamento oficial desta obra-prima da Cachorro Bandido Produções.

11.9.11

Deslimite: um filme-entrevista estrelando Augusto de Campos



Se a melhor crítica de uma obra de arte parece ser outra obra de arte, como contar - sem cantar poesia - o “pulsar quase mudo”, pós-tudo, o “quanto mais poetamenos dizer” do poeta Augusto de Campos?

Sob o metro de um ensaio interdisciplinar, crivo bem temperado que opere um guisado de prosa porosa, subdivisões prismáticas da idéia e montagem russa, busquemos a síntese de um texto-cinema, que tente desbravar caminhos não balizados e nos aventure a novos territórios, sem bulas e bússolas. Invenção de formas; essências e medulas.

Ou, para citar os títulos de dois artigos antigos do próprio Augusto, algo que conjugue “poesia, estrutura”, “poema, ideograma”. Panaroma, harpdiscórdia, colidouescapo. A proposta de um “Deslimite” estrelando Augusto de Campos. Mais que um roteiro crítico, um "cinema escrito", que articule opinião e invenção, uma espécie de "cinema" vanguardo-crítico-didatizante, que consiga ao mesmo tempo instigar e educar.

Nos últimos meses, Augusto teve lançadas duas antologias de poesia: “Viva Vaia” (terceira edição ampliada), editada no Brasil pela Ateliê (com poemas de 1949 a 1979) e “Anthologie - Despoesia”, editada na França pela Al Dante -poemas de “Viva Vaia” e mais “SOS” (1983) e “Pós-Tudo” (1984), traduzidos por Jacques Donguy.

Essa antologia bilingüe foi lançada no Salão do Livro de Paris em abril e no Salão do Livro de Genebra no início de maio. Nesta última, fez-se acompanhar de uma bela apresentação de “Poesia é Risco”, espetáculo intemídia de poesia, música e imagens, com a participação de Cid Campos e Walter Silveira.

É possível que esta gravação do recital em francês se transforme em cd ou cd-rom, a ser lançado na França ou na Suíça. Mas Augusto de Campos tem mais projetos: poemas novos (“digitais” e em papel) que podem ser coligidos num cd-rom e num livro que pretende editar ainda este ano. E agora talvez seja a hora de rimar as luzes e da tela projetar-se este piano preparado AC / CA.



Abertura

Como uma decupagem técnica. Close em partículas brilhantes vibrando na tela-página. Câmera afasta-se (zoom-out da lente) e revela os cristais líquidos na crista da onda.

A água se espraia, grãos se agitam. Zoom-out continua e revela um mar na tela do computador. A maré marulha. Vemos o reflexo do rosto de Augusto de Campos sobreposto à imagem do mar em plano próximo.

Câmera se afasta mais -plano geral- e faz uma panorâmica circular pelo gabinete de trabalho do poeta (estantes com livros, cds, objetos de arte). A panorâmica desloca-se em para o centro do quadro -a estação digital (computador, scanner, impressora)- e inicia ascensão em travelling perpendicular. Tomada em plongée (câmera alta) escrutina o poeta compondo poemas na tela-mar.


Primeira tomada – DexPoetaMenos

Hoelderlin abre o primeiro livro de poemas de Augusto de Campos e encontra um verso seu como epígrafe de “O Rei Menos O Reino” (1951): “E para que poetas em tempo de pobreza?”

Webern faz uma pausa-paráfrase de Hoelderlin -“viver é defender uma forma”-, antes de perguntar a Augusto: qual o valor da poesia hoje?

Augusto de Campos:
A poesia cumpre o papel que sempre cumpriu. Nas palavras de Pound: “Poets are the antennae of the race”. Só que os alarmes das antenas dos poetas não costumam ser detectados, num primeiro momento (ponha nesse “momento” décadas e às vezes séculos) pelos canais de recepção da imensa maioria, para a qual a poesia é uma espécie de conversa de marcianos.


Mistério-Bufo: ao ouvir o locutor decretar a vitória do garção de costeleta no sistema babilônico, Oswald resvala a pança no rádio à janela (sintoniza a novela “Desatinos do Destino”).

A antena quase cai do alpendre. Apedrejado pelas ruas da província, Sousândrade suspira o risco da poesia: “Ouvi dizer, por duas vezes, que a minha poesia só será entendida daqui a 50 anos. Entristeci. Tristeza de quem nasceu 50 anos antes”.

Augusto de Campos:
Mesmo assim, o poeta deve continuar, ainda que simbolicamente, a exercer a sua missão, fazer o seu trabalho, sem concessões, seguro de que o tempo -o longo tempo- irá resgatar as suas mensagens-em-garrafa atiradas ao espaço da linguagem, o seu “pulsar quase mudo”.


Enquanto escreve uma nova composição na partitura musical, Schoenberg recita: “O artista nunca faz o que os outros acham bonito, faz apenas o que ele acha necessário”.

Enquanto pinta um novo filme no rolo de celulóide, Oskar Fischinger medita: “Há apenas um caminho para o artista criativo -produzir somente pelos mais nobres ideais- o verdadeiro artista não deve se importar se é compreendido ou incompreendido; ele deve ouvir apenas seu espírito criativo e satisfazer seus mais altos ideais, confiando que este será o melhor serviço que ele pode prestar à humanidade”.


Augusto de Campos:
O valor da poesia está no seu desvalor mercadológico. Na ética da sua inutilidade. Não se vende e por isso não tem compromissos senão com ela própria. Não tem utilidade prática. Por isso é útil. Sua anárquica contraproposta existencial tem em vista resgatar a essência melhor do ser humano, sufocada pelos instintos primários da ambição e do lucro, que infelicitam o convívio social.


Sem esperança nem temor, saído do Inferno de Dante, Ezra Pound adentra a ágora e desfralda uma bandeira-farrapo de seda: “A usura é um câncer no azul”.

Saído do Inferno de Wall Street, com sua harpa exquisita e farpa selvagem, Sousândrade prepara-se para desafinar o coro dos contentes de nosso tempo.

Augusto de Campos:
Por isso, o poeta, mesmo desprestigiado pelos meios de comunicação, mesmo “à margem da margem” (Décio Pignatari), mantém a sua identidade e a sua aura de loucura e pureza, num meio que se pretende racional e civilizado, mas em que predominam o egoísmo e o interesse material.


Pária numa praia de ossos, “artista sem arte -ao inverso”, Corbière pinta seu epitáfio na magra paisagem má, bêbado da borra de ser vida, “bem logrado malogrado”.

No centro da praça (a multidão na platéia centrífuga), John Cage senta-se ao piano para apresentar uma das versões de sua “Conferência sobre Nada” -a peça “ 4’33” ”. Imóvel, o músico toca o silêncio.

A luz das palavras: “Mas, luminosos ou filmletras, quem os tivera!”. No vale do Anhangabaú, populares aglomeram-se para ver a multiplicidade de vocábulos -cauda sem fim cidade, city, cité- despejar-se da marquise sobre a cidade.


Plano-Seqüência - Vertigem do Paideuma, Miragem do Cinema

Do horizonte improvável, deslinda-se uma nebulosa, caos cósmico -“i punti luminosi”- de grãos f(ec)undantes -nutrimento de impulso. Rever o olor que livra e lavra -“make it new”. Sob esse anticéu parietal, noosfera que gera e interroga, pergunto ao poeta: Quais são os poetry makers que é preciso ler hoje, pela importância intrínseca e pelo valor das palavras para a nossa época?

Augusto de Campos:
Os fundamentais são os mesmos que anunciamos há 50 anos atrás: Mallarmé, Pound, Joyce, Cummings.


Mallarmé imprime na oficina as páginas de seu lance crucial e diz a Augusto: “Não conheço outra bomba a não ser um livro”.

Augusto de Campos:
Mallarmé é o limiar da poesia da modernidade. Seu poema “Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso” (1897), propagado no enclave de dois séculos críticos, toca em todos os problemas básicos das poéticas dos séculos 20 e 21. Desestrutura e reestrutura o texto, como um mapa visual e como uma partitura. Suas “subdivisões prismáticas” antecipam o cubismo, revalorizam o silêncio e, a longo prazo, sugerem o hipertexto. Poesia tempo-espacial antes do tempo, que tematiza as questões do acaso e do caos e joga os dados para o futuro.


Acu(s)ado isano, por um tempo doente, Pound sai da gorilla cage a que fora confinado e diz a Augusto: “bright brazilians blasting at bastards”.

Augusto de Campos:
Pound colocou a invenção como parâmetro básico do comportamento poético. Criou uma nova modalidade de crítica. A crítica via tradução, com a qual inventou, modelarmente, chineses e provençais para a poesia moderna. Instaurou novos procedimentos poéticos com seu método ideogrâmico, que assimila a montagem e a colagem em módulos conseqüentes mesmo em poemas longos como “Os Cantos”.


Joyce tropeça entre tragos, dribla o desvio de Dublin e a dobra da Bahia, e diz a Augusto: “from Blasil the Brast to our povotogesus portocall”.

Augusto de Campos:
Joyce, com suas células vocabulares cambiantes, caleidoscópicas, abriu novos caminhos para a poesia e para a prosa, criando textos indeterminados, polissêmicos, mas ao mesmo tempo rigorosos em sua construção referencial. Romances para acabar com o romance.


Prova de exigência e fôlego do artesanato furioso, Cummings revisa provas tipográficas e diz a Augusto: “uma folha cai contra a humanimaldade”.

Augusto de Campos:
Cummings revolucionou a própria palavra, atomizou-a, revitalizou a mortografia cotidiana com sua tortografia, provocou novas relações intervocabulares em minipoemas concisos e precisos, que se desconstroem e reconstroem os textos em modelares móbiles verbais de multileituras.
Entre nós, Oswald de Andrade e João Cabral de Melo Neto, e, acima de todos, Sousândrade, cuja linguagem ainda não foi inteiramente assimilada nem decifrada.



Oswald acerta o relógio e o trem da história para a frente; apanha os óculos na latrina e garatuja versos de quatro letras na lousa megalítica: “humor amor”.

Ainda não escalpelado, autografa um caderno do aluno de poesia das indústrias reunidas O. de A. e dedica à firma de Augusto: “A poesia para os poetas -a prova do novo- somos concretistas”.

Augusto de Campos:
Oswald radicalizou o nosso moderado modernismo com a sua antropofagia, metáfora antropológica que constitui a nossa única criação filosófica e com a qual canibalizou a cultura européia e armou os seus poemas-minuto e a prosa inventiva de “Serafim Ponte-Grande”.
João Cabral: o rigor construtivo de sua poesia de pedra, insubornável até nas suas limitações. Arquitetura e antimelodia. Contra uma “tradição de tagarelas”: não-sentimentalismo. Desegotização. Duro e puro. “Não posso me renovar, calo-me”.



João Cabral crava faca só lâmina no açúcar da cana, educa a antiode inconfessável pela pedra, e diz a Augusto: “Lição de poesia a palo seco”.

Augusto de Campos:
Sousândrade: pré-tudo. Pré-colagem e pré-montagem nas estrofes satíricas do “Inferno de Wall Street”, poema que não tem equivalente em outras literaturas no seu tempo. A ousadia da experimentação em todos os sentidos. “Sobre-rum-nadam”, “fossilpetrifique”. Um milagre de invenção até hoje não entendido e talvez não merecido pelo nosso meio.


Sousândrade peregrina pelos escombros malditos de um terremoto clandestino, e diz a Augusto: “Há mundo porvir?”

Augusto de Campos:
Mas se se perceber a diferença que há entre um inventor, um mestre e um diluidor, pode-se ler tudo. A poesia é grande e há grandes poetas como Pessoa, Rilke, Maiakovski, Tzvietáieva, Stramm, Apollinaire, Lorca, Dylan Thomas e tantos outros (para falar só do século 20). De todos é possível extrair encantamentos e ensinamentos preciosos.


Cage colhe cogumelos e ruídos num parque imaginário de Manhattam, e medita: “i am here and i have nothing to say and i am saying it and this is poetry”.

Augusto de Campos:
Eu hoje acrescentaria à lista dos poetas indispensáveis os textos do multiartista John Cage, superiores a tudo o que se chama de poesia americana pós-Pound. A fortíssima geração modernista americana, que inclui ainda figuras de proa como Eliot, Gertrude Stein, Cummings, Wallace Stevens, William Carlos Williams e Hart Crane, deixou as gerações subseqüentes numa espécie de estupefação poética, até hoje não resolvida.


Antes de perguntar “se não há resposta, então qual é a pergunta?” e fazer a rosa ficar mais vermelha no jardim das letras, Gertrude, em seu leito de morte, rasgou as autobiografias de fofoca de todo mundo e daí disse a Augusto: “there was nothing to say because just then saying anything was nothing”.

Augusto de Campos:
Não dá para comparar com eles os Beat, nem os discípulos pós-modernistas como Zukofsky e Oppen (por maior que seja o esforço da crítica recente americana em supervalorizá-los) e muito menos os “language poets”, mais interessantes pela pesquisa do que pela poesia, incongruentes na hierarquização dos valores poéticos e paradoxalmente mais propensos a responderem às novas mídias com idioletos não-referenciais do que com ciberpoéticas competentes.


Na vertigem do corpo morto que cai, entre os descaminhos da selva selvagem e obscura, Dante chama Arnaut Daniel, “il miglior fabbro del parlar materno”.

Alto e baixo por entre as folhas, poema da presença de Provença cantar veio para Augusto: “Eu sou Arnaut, que amasso o ar, amo Laura, caço a lebre com o boi e nado contra a maré”.

Augusto de Campos:
Não é preciso dizer o quanto (e muito mais) se aprende lendo Homero, Dante, os trovadores provençais ou os “metafísicos” ingleses etc. etc. Durante meio século, via tradução, Haroldo, Décio e eu nos devotamos a recriar em língua portuguesa, um “corpus” do que de melhor se fez em poesia, do chinês ao russo, com ênfase na invenção. Por que não visitá-lo?


Sob o olhar telúrico da tertúlia em trio, uma épica sem enredo encapsulada em caleidoscópio desenrola-se de diante de Augusto, Décio e Haroldo.

Após receber de Pound o subsídio para publicar “Ulysses” e espalhar pelos ares os manuscritos de “Finnegans Wake”, Joyce interpela-o: “to beg for a bite in our bark Noisdanger”.

Pound vira a página e a clepsidra do avesso, perfura minas na terra devastada - “dichten = condensare” (poesia = concentração) -e pergunta ao trovador Arnaut: “Mas, Noigandres, eh Noigandres! O que quer dizer isto?”.

Colhendo no ar a tradição mais viva, colorindo “o canto de uma flor cujo fruto seja amor”, o grupo de poetas paulistas encastelado no morro das Perdizes viria a adotar a palavra-enigma como mote de experimentação e nome de pesquisa poética em 1952.

Francis Picabia e Man Ray pegam a revista “Invenção”, sob a foto dos poetas Noigandres, e descortinam a tela (trompe-l’oeil que iludia a falsa paisagem) para o Entreato, enquanto Erik Satie e René Clair preparam a próxima cena.


Cena 3 - Impulsos em Rotação

Marcel Duchamp apanha a “Invenção” , abre seu museu-valise de projetos e ready-mades e tira da caixa preta um tabuleiro de xadrez (na verdade, seu Grande Vidro), onde se lê -as letras nas casas do jogo- seu lema: “Não repetir apesar do bis”.

Após dois dedos de prosa e um lance do acaso em fracasso -desvestido de celibatário mesmo, exclama que seu outro lema é “echecs”, um misto quente (“croque senhor?”) de “xadrez” e “fracassos”-, Duchamp pergunta a Augusto: O que um jovem poeta precisa levar em conta hoje, no ato de escrever? Qual é a escrita de nosso tempo?

Augusto de Campos:
Os caminhos que se abrem são muitos e imprevisíveis. Ler o melhor possível (como o que foi citado anteriormente), atentar para as possibilidades das novas tecnologias (que exigem grande investimento em aprendizado, manuais de programação, softwares etc.). Eleger a sua própria dieta poética e tentar descobrir a própria voz.


Scelsi mostra a Augusto uma relíquia do castelo de Rapallo -um bilhete manuscrito. Conta que quando perguntaram a Pound, já bem velhinho, que conselhos teria para dar aos jovens, ele simplesmente autografou: “curiosity - advice to the young - curiosity”.

Augusto de Campos:
A única coisa que não me parece inteligente é voltar atrás, retornar a padrões ultrapassados de escrita poética, a menos que se tenha tutano para fazer melhor o que fizeram Shakespeare, Camões, Hopkins, Cesário Verde...


Contra a maré da mercancia, Haroldo de Campos encanta Khlébnikov pelo cantar do riso, transluciferino logodédalo, expandido galáxias: “Ride, ridentes! Derride, derridentes!”

Sá-Carneiro sugere a Augusto arrolar uma bíblia irônica, para combater a bílis crônica da juventude transviada (e a própria incontinência que angustiava o poeta lisboeta)... “Grafogramas, grafemas, stelegramas para um jovem poeta... Ou que tal uma ‘Soneterapia’?”

Augusto de Campos:
O que tem acontecido é o contrário. O neoconservadorismo, que reponta aqui e ali, pressurosamente amparado por academias e prêmios inconfiáveis, tem demonstrado à saciedade essa afirmação. Quando o resultado não é insignificante, é desastroso, pela incompetência dos noviços, se comparados aos grandes e até aos pequenos mestres.


Entre tomos do “Tolicionário” (‘dicionário das idéias tolas e feitas’, ‘enciclopédia em farsa da estupidez humana’), que vinha compilando há anos e deixará inacabado (para desespero de Bouvard e Pécuchet), Flaubert espana o pó das páginas e pondera: “Quando é que seremos artistas, nada mais que artistas, mas realmente artistas?”.


Cotidianas digitais

Rimbaud projeta num muro de Paris os rotorelêvos duchampianos de “Anemic Cinema”, que Man Ray ajudara a cinematografar.

Na platéia ao ar livre, Mallarmé dirige-se a Cézanne: “Sem presumir o que sairá daqui -nada ou quase uma arte”.

Prestes a abandonar o ofício em troca do tráfico de mistérios (um escambo de máscara cubista e esfíngica), o projecionista pergunta a Augusto: Qual a importância das novas tecnologias para a poesia? Como lidar com elas?

Augusto de Campos:
As novas tecnologias não surgiram por acaso. Respondem a avanços científicos e são irreversíveis. Tenho para mim, que um dos méritos das vanguardas da primeira e da segunda metades do século 20 foi o de (antenas da raça) acenarem precursoramente para as transformações que haveriam de ocorrer na linguagem e na intercomunicação humana.


Espelhos vorticistas armados por Dziga Vertov projetam “animogramas” (poesia móbile de computador) de Augusto: em “o mesmosom”, Scelsi busca o grau raro do zero-zen; e “Pessoandando” vai no compasso complexo do desassossego.

Augusto de Campos:
A sintaxe da informática é extremamente familiar, congenial mesmo, à idéia do poema como projeção gráfico-espacial, organizado em estruturas rigorosas, a atritarem o verbal e o não-verbal em cor, som e movimento.


Webern e Cage fazem coro a “interpoemas” (poesia para intervenção interativa) de Augusto: no “Ininstante” em que o mouse morde uma sílaba, o verbo faz-se variante; ao abrir as “Portas do Ouver”, o olhouvido pisca em sinestesia.

Augusto de Campos:

É o ambiente ideal para a apresentação “verbivocovisual”, postulada pela poesia concreta, a partir do “Lance de Dados” de Mallarmé, poema que fecha o século 19 e abre o 20 para as aventuras da modernidade, retomadas nos anos 50, e agora já caminhando para o espaço cibernético.


Duas duplas solam em uníssono para os “morfogramas” de Augusto: Webern e João Gilberto em escala contida de “Quarteto para Saxofone op. 22” e “Eu Sambo Mesmo”; Cage e Boulez , em discordia concors de “16 Dances” e “Première Sonate pour Piano”.

Augusto de Campos:
Tão longe foi a antevisão de Mallarmé, que é possível ver nas “subdivisões prismáticas da Idéia” do seu poema um aceno para as práticas hipertextuais, características do universo digital. Pode-se perfeitamente visualizar o poema a partir da frase principal “Un coup de dés jamais n’abolira le hasard”, como a sede de camadas de “links” correspondentes às frases menores em que se ramifica o poema. Mallarmé entendeu o seu tempo e o que viria depois.


Naufragados no hiper-realismo de um monitor de cristal líquido, Mallarmé e Igitur conspiram contra a blasfêmia esparsa de Usher e tramam “uma constelação” de claras enigmagens no palco do teatro de idéias: transe mental.

Noite, demência e pedraria. Sobre o jogo de quadrados de um quadro pintado por Geraldo de Barros, Duchamp, demônio mallarmaico da analogia, brinda “o chocalhar sacrílego dos dados”.

Augusto de Campos:
Não há porque temer, por desumanizadora, a mídia digital. Cabe a nós, poetas, prometeus cibernautas, arrancar o fogo digital dos cibernadores (“controladores-governéticos”, na expressão de Timothy Leary) e humanizá-lo com o “ethos” não contaminado da arte e da invenção.


Solitude, recife, estrela. À beira de uma falésia, Mallarmé mostra a Valéry as provas de seu “Lance de Dados” - abaixo, as ondas do mar do mesmo 1897 insistem em se quebrar num pier-estela a onze fotogramas por segundo.

Cosmo-polis. O prestidigitador de bibelôs de inanição sonora pergunta ao encantador de serpente que pensa renitente: “Você não acha que é um ato de demência?”


Coda - Corte do Cristal para o Risco no Arco Teso

Peirce quixotesco e ideológico, virando o rosto da memória para um Brasil em obras e atacando pelo avesso das errâncias de panteros, Décio Pignatari declama: “apenas o amor e, em sua ausência, o amor / decreta, superposto em ostras de coragem, / o exílio do exílio à margem da margem”.

Com cicatrizes várias, mas viva, Pagu sai do túnel e marcha (Oswald no ouvido): “no fundo de cada Utopia não há somente um sonho, há também um protesto”.

Ao ver Augusto e Lygia numa das janelas que resplandecem no Parque Industrial, ela pergunta ao poeta que cultivava Solange Sohl: Como viver/sobreviver dentro da cultura brasileira?

Augusto de Campos:
A massificação cultural brasileira (fruto da desigualdade social e da ganância dos veículos de comunicação) é um fato inconteste. Numa população de 170 milhões de habitantes, o público que compra um best-disco popular de nível elevado não chega a 0,001%. Livros de poesia têm uma tiragem normal máxima de 2000 exemplares. O que significa 0,00001% da população. Música clássica tem um índice parecido. Música contemporânea, um índice menor ainda.


Empilhando um copo de cerveja sobre uma taça de schnaps e um cálice de conhaque, Lupicínio Rodrigues ergue um brinde ao tótem do pensamento coisa à-toa. Entre trancos e tamancos, sussurra para Augusto: “Chegam até a afirmar que eu tenho uma pedra encerrada no peito, quem há de dizer?”

Augusto de Campos:
O repertório poético da população se restringe, praticamente, ao da música popular. Mas a poesia da música popular é limitada pela comunicação de massa, tendo que aceitar, de saída, uma série de convenções, a partir da própria música, formatada pelo melodismo tonal. Entende-se que assim seja, porque, sem uma linguagem de acesso imediato, inviabilizar-se-ia, a curto prazo, o importante papel social que cumpre essa modalidade de arte: injetar momentos de poesia e música nas práticas de lazer da coletividade.


Ao piano, Eurico de Campos toca seu “samba concreto” para o filho Augusto. Como móbiles de Calder, bóiam na tela-canto o “triângulo vermelho do coração”, o “losango violeta da saudade” e as “linhas paralelas das almas separadas”.

Augusto de Campos:
No entanto, é preciso dizer que 90% do que se chama de “poesia” da música popular (ou mais modestamente de “letra”) -mesmo levando em conta a natureza específica das “letras“, que demandam critérios peculiares de avaliação- é subliteratura, diluição poética.


Frente a um forno a lenha, o perfeito cozinheiro das almas deste mundo anuncia seu “indigesto” prato: “A massa ainda vai comer o biscoito fino que eu fabrico”.

Augusto de Campos:
Houve um momento em que a produção mais sofisticada da área de consumo aparecia como a grande mediadora entre a cultura popular e a erudita, a ponto de Décio Pignatari ter criado o termo “produssumo” para conceituar essa situação excepcional. A poesia das letras e a própria música elevaram-se, chegando a produções-limite como “Araçá Azul” e “Cabeça”.


Abrindo picadas pelos campos de cana-de-açúcar para sempre, Caetano Veloso vai avançando por veredas que se engendram de palavra em palavra até que o araçá mude em pulsar quase mudo, dias dias dias de sonho-segredo.

Do fundo do poço, pátio dos loucos, Walter Franco enxota uma mosca do branco vão da boca, deixa-se mudo, xaxado e perdido, até perguntar (dó de doido): que é que tem nessa cabeça, saiba que ela pode ou não.

Augusto de Campos:
Mas a própria dinâmica do entretenimento, sob a pressão mercadológica, acabou retrojetando os seus produtos mais e mais no mundo do consumo, apartando-os da arte de alto repertório e das práticas experimentais mais agressivas.


Com geléia até o pescoço, Torquato Neto desfolha a bandeira de “medula & osso”. Adeus pra não voltar -let’s play that- zarpa via Navilouca: “eu quero eu posso eu quis eu fiz”.

Augusto conduz o trovador Bernart de Ventadorn a um desafio entre cantadores nordestinos -a peleja no Piauí entre o Cego Aderaldo e Zé Pretinho- “é um dedo, é um dado, é um dia”, “é um dia, é um dado, é um dedo”.

Augusto de Campos:
As poucas tentativas de reinjetar-lhe invenção e restabelecer aquela tensionante “intermídia” cultural, provindas quase sempre de músicos independentes, têm sido recebidas com indiferença e sufocadas por um meio musical circunscrito aos seus virtuosismos e excelências e aparentemente desinteressado de produções que bloqueiem a comunicação fácil com o público, que aumentou enormemente, enquanto a faixa estrita dos leitores de poesia permaneceu nos mesmos índices insignificantes.


Sabor de burrice made in Brazil. Antídoto Tom Zé: “defeito de fabricação”, “beleza demais contravenção”. Entre moqueca para rabeca e rapadura bricolada, farinha percussiva e carne de corda, multiplicar-se única: cademar?

Pavilhão Transnacional, Exposição Universal. Edgard Varèse orquestra torrentes de sons (ruídos feitos música) e projeções de luzes (poema hiperprismático) para arrasar a rala densidade dos desertos atuais.

Augusto de Campos:
Em suma: a música-poesia popular voltou a ser popular e a poesia e a música contemporâneas voltaram aos compartimentos da alta cultura. Tal situação não é muito diferente no resto do mundo. Basta dizer que, no plano dos produtos auditivos, a maior parte da grande poesia de língua inglesa, de John Donne a Dylan Thomas, é até hoje apresentada com extrema mesquinharia, em modestíssimos cassetes, onde não se oferecem sequer os textos dos poemas, enquanto se multiplicam as mais requintadas edições de CDs e DVDs de vulgaridades poético-musicais.


À mesa de um boteco lisboeta, entre goles de bagaceira, Fernando Pessoa esboça seu ensaio “Erostratus”: “Quanto mais nobre o gênio, menos nobre o destino; um gênio pequeno alcança a fama, um grande gênio alcança o descrédito; um gênio ainda maior alcança o desespero; um deus é crucificado”.

Augusto de Campos:
Já da perspectiva propriamente literária, são raros os interlocutores da poesia de invenção ou experimental (a que não é feita só para “expressar” mas para “mudar”, na fórmula cageana), tanto sob o aspecto da recepção crítica, quanto sob a ótica da produção poética, que, como no caso da música popular, tende atualmente ou à estabilização ou ao retrocesso.
Nessa conjuntura, a única atitude possível ao poeta, ou pelo menos ao poeta-inventor, mais do que nunca encantoado nas catacumbas da comunicação, é a “guerrilha artística”, como Pignatari previa há muitos anos.


Escapando de uma manifestação antiglobalização, Paul Valéry vê grafitado num muro convulsivo de Paris um aforisma seu estropiado em desprovérbio: “Contra o fácil e o fóssil, o físsil e o míssil do difícil”.

Augusto de Campos:
Resistência e recusa. Registrar, ao menos, o trabalho, para as gerações futuras, enquanto não se processe uma verdadeira elevação cultural a partir de políticas adequadas de ensino, as únicas que poderão reverter a situação, ainda que a longo prazo.


Nas calçadas pisadas de sua alma, sob o balido-balada da balalaica, Maiakóvski: “Quero ser compreendido pelo meu país/ mas se não for/ tanto faz/ passarei por vocês/ de viés/ como a chuva/ oblíqua/ passa.”

Sem dar sua alma cativa, abrindo a veia da vida, “irrecuperável, a vida vaza”, “irreprimível, vaza a poesia”, Tzvietáieva: “A resposta é: recuso”.

Augusto de Campos:
Apesar do seu insucesso pessoal (ambos se suicidaram, inviáveis, sob o tacão stalinista), eles estão mais vivos do que nunca. É sob o signo dramático da sua ética estética que se deve colocar, a meu ver, a sobrevivência da poesia, nos tempos de hoje. Sem esse norte, não vale a pena ser poeta.



Carlos Adriano
É mestre em cinema pela USP e realizador dos filmes “A Voz e O Vazio: A Vez de Vassourinha” (placa de ouro de melhor documentário no Festival de Chicago) e “Remanescências” (aquisição/coleção The New York Public Library), entre outros.

2.9.11

Mobilidade Urbana


Em entrevista à revista Brasileiros, Renata Falzoni - que já figurou aqui no Barco -, fala sobre mobilidade urbana e os novos paradigmas a serem quebrados nas cidades brasileiras. Há hoje um uso excessivo do carro enquanto automóvel, e as políticas públicas permitem que toda a infraestrutura logística das cidades gire em torno de pavimentar ruas e construir estacionamentos, o que torna inviável a qualidade de vida numa grande metrópole como São Paulo. Para entender melhor, veja o vídeo acima.

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4 ANOS D'O BARCO!

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É, amigos. Chegamos aos trancos neste aniversário de quatro anos. Tá, foi ontem, mas eu não estou nem aí.

Chegamos a mais de 370 mil visitas em quase 900 posts. Tenho de admitir que preciso rever nosso baú e reatualizar links e textos; assim como voltar a postar, já que os últimos meses estive bastante ausente.

Mas o vento já bate em popa, e nos lançamos novamente dos rios impassíveis direto ao mar aberto. Um brinde!


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23.8.11

Lóki? (1974) - Arnaldo Baptista

Achei o SoundCloud do Arnaldo Baptista! E dele já pude "roubar" como bom pirata baús cheios de psicodelia mutante. Além de 66 músicas disponíveis em 5 discos: Lóki? (1974, abaixo), Let It Bed (2004), Singin' Alone (1982), Faremos uma Noitada Excelente (com Patrulha do Espaço, 1987), e Elo Perdido (com Patrulha do Espaço, 1977)... cada disco tem um texto explicativo anexado, o do Lóki? está abaixo:

 



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LÓKI? – ARNALDO BAPTISTA - (1974)

Para download: clique aqui!



Texto: Marcelo Dolabela


"Jean-Luc Godard, depois de experimentar várias radicalidades, demarcou o território impossível de um artista: “Ninguém faz duas revoluções”, e concluiu: “Ainda bem”. Era como se mandasse um recado e predestinasse uma outra voz para a esfinge, em forma de eufemismo, de paradoxo, de axioma.

João Gilberto fez a revolução bossanovística; Oswald de Andrade, o pau-brasil/antropófago; Hélio Oticica, os parangolés do experimentar o experimental. Com a Tropicália, que, antes de estabelecer plenamente, foi “abortada”, pelo AI-5 e suas seqüelas, talvez a maldição godardiana foi diferente, cada tropicalista seguiu seu rumo. Com os Mutantes, não foi diferente. Arnaldo Baptista – Rita Lee & Sérgio Dias escreveram parábolas dentro e a partir de parábolas. Viveram suas possibilidades coletivas, paralelas e individuais.

Arnaldo, na musicografia tropicalista e na própria música brasileira, é o artista que saques produziu para quebrar a maldição godardiana. Depois de ser o motor dos Mutantes. Depois de produzir os primeiros álbuns solos de Rita Lee _ Bluid up, 1970 e Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, de 1972. Depois de ir e vir. E partir para a carreira solo. Levou o conceito de radicalização ao extremo. Seu primeiro álbum-solo: Lóki? (Philips, 1974), é, até hoje, o disco mais visceralmente revolucionário da música brasileira . Com um instrumental mínimo – teclado (Arnaldo), contrabaixo (Liminha), bateria (Dinho) e backing-vocals (Rita Lee) – (o último encontro dos Mutantes), Lóki?, em dez canções, passa a limpo toda a era do rock and roll e o que poderia ter sido uma tropicália lisérgica. Sem dúvida, o melhor elenco de canções incluídas em um único
álbum.

O formato do álbum é conceituado. Os dois lados do disco abrem com canções chaves. O lado A com “Será que vou virar bolor” e o lado B “Ce ta pensando que sou Lóki?”. Ambas trazem as inquietações pós-Mutantes de Arnaldo. Qual o futuro? O esquecimento? (Bolor) ou A loucura? (Lóki?). As outras oito canções vão respondendo, cada uma, de uma forma e de um ponto-de-vista. A minimalista canção final “È fácil”, responde com uma melodia supertrabalhada e uma miniletra: nem o esquecimento nem a loucura, mas
a genialidade da música. É fácil!

As outras canções são: “Uma pessoa só”, única faixa herdada dos Mutantes, da época do A e o Z. Canção utópica que aponta para a plenitude da convivência humana, em um único corpo e em um único projeto de vida.

“Não estou nem ai” é a antítese de “Uma pessoa só”, o antípoda que nega os projetos utópicos e enfrenta o mundo material, o instant karma da vida cotidiana.

Continuando, a quarta canção do lado A é “Vou me afundar na lingerie” é a terceira possibilidade, nem o mundo utópico, nem a dureza da vida cotidiana, mas o hedoismo, o ócio, a prequiça como destruidores das opressões e barras-pesadas.

Fechando o lado A, a instrumental “Honky tonky”, com apenas Arnaldo no piano, em um misto de boogie woogie e levada trans-stoneana, trans-“Honky tonky woman”.

O lado B, depois de “Ce ta pensando que sou Lóki?”, traz “Desculpe”,uma releitura de “Desculpe, babe”, de Arnaldo Baptista & Rita Lee , do álbum A divina comédia ou ando meio desligado, dos Mutantes de 1969. É uma outra resposta para o impasse: esquecimento/ bolor/ lóki/ loucura. O “amor” como a grande questão. O dizer sim ou não. Perdoar ou não. Seguir em frente.

A terceira canção “Navegar de novo” é uma resposta concisa. É o bola pra frente”, “o enfrentar as intempéries” e “seguir”.

A Cançao sequinte “Te amo podes crer” é, talvez, a obra-prima das canções de amor do rock brasileiro. Em dois minutos e cinqüenta segundos, Arnaldo faz um tratado das dores de amores, um Werther, um Tristão e Isolda, um Romeu e Julieta com piano, sintetizador, contrabaixo elétrico e bateria. Fechando, a chave-de-ouro de “É fácil”.

E o conceito faz clique e se completa. Na era do CD, algumas informações se perdem, mas uma que, no vinil, fazia muito sentido ainda vale ser comentada. Os dois lados do disco (A e B) trazem exatamente 16 minutos e 50 segundos, nem um nem dois segundos a mais ou a menos. E no rodapé da ficha técnica, uma única nota: “Este disco é para ser ouvido em alto volume”. Aumentar o volume não só do aparelho, mas do rock e das emoções primitivas de cada um. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999)."



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22.8.11

30 anos sem Glauber Rocha



30 anos sem Rocha! Homenageio-te, Glauber, com este vídeo (trecho do filme 'Glauber - Labirinto do Brasil', de Silvio Tendler), quando Darcy Ribeiro discursa em seu enterro e faz-nos lembrar do ser humano que fostes. Essa poesia, abaixo, que escrevi há tempos, parece agora ter motivo para ser publicada:



CI - NE - MA
kino ma
sintoma 3°
anti-glaucoma


a ti, Glauber



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19.8.11

NY NY, Huxley e uma experiência visionária



Curta-metragem NY NY do diretor Francis Thompson (1957); e um comentário de Aldous Huxley, nos apêndices de seu livro Céu e Inferno.



"E há, ainda, o que poderíamos chamar de Documentário Deturpado - estranha forma nova de arte visionária, admiravelmente exemplificada no filme N Y N Y, de Francis Thompson. Nessa película, realmente esquisita e bela, vemos a cidade de Nova York sob as mais bizarras formas: fotografada através de prismas multiplicadores ou refletida na convexidade de colheres, nas calotas das rodas e automóveis, em espelhos esféricos e parabólicos. Nele ainda somos capazes de reconhecer casas e pessoas, fachadas de lojas e carros de praça, mas tudo isso como meros elementos dessas formas geométricas animadas, tão características de experiência visionária. A criação dessa nova arte cinematográfica parece prenunciar (graças a Deus!) a invalidação e a morte próxima da pintura abstrata. Os pintores abstratos costumavam dizer que a fotografia colorida reduzira o retrato e a paisagem clássica à categoria dos absurdos inúteis. É fora de dúvida que isso é inteiramente falso. A fotografia colorida apenas registra e conserva, sob forma fácil de reproduzir, as matérias-primas com as quais o pintor de retratos e o paisagista trabalham. Usado tal como Thompson o fez, o filme colorido faz muito mais coisas, além de registrar e preservar a matéria-prima da arte não-representativa; na verdade, ele se transforma no produto acabado. Assistindo a N Y N Y , fiquei surpreendido por ver que praticamente cada artíficio criado pelos Velhos Mestres da arte abstrata e reproduzido até causar náuseas pelos acadêmicos e maneiristas dessa escola durante os últimos quarenta ou mais anos, surgiu vívido, brilhante, intensamente atraente nas sequências do filme de Thompson."



Apêndice III do livro Céu e Inferno, de Aldous Huxley

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27.7.11

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‎"O que mata as pessoas é a ambição. E também esta tendência para a sociedade de consumo. Quando vejo publicidade na televisão, digo a mim mesmo: podem me apresentar isto anos a fio que nunca comprarei nada daquilo que mostram. Nunca desejei um belo automóvel. Nunca desejei outra coisa senão ser eu próprio. Posso caminhar na rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe."




< Albert Cossery >

9.7.11

Dubidú Dubidá


É tempo de respirar pro








fundo.

5.7.11

Amigo Punk, por Wander Wildner



Este barco ultimamente parece mais uma clipoteca, mas nesta manhã fria lembrei somente de Amigo Punk.




Escute este meu desabafo
Que a esta altura da manhã
Já não importa o nosso bafo


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1.7.11

Tom Waits - Heart Attack and Vine


Quase concordo com o cara que escreveu que este é o melhor vídeo no Youtube. Roubado, de pirata a pirata, do facebook do Papa Ismael, vulgo Fly.

30.6.11

E então veio o Sr. Goodtrips

E mandou tocar em todos os cantos deste Barco:




The human race was dyin' out.
No one left to scream and shout.
People walkin' on the moon.
Smog will get you pretty soon.

Everyone was hangin' out.
Hangin' up and hangin' down.
Hangin' in and holding fast.
Hope our little world will last.

Yeah, along came Mr. Goodtrips
Lookin' for a new a ship.
Come on, people better climb on board.
Come on, baby, now we're goin' home.
Ship of fools.
Ship of fools.

The human race was dyin' out.
No one left to scream and shout.
People walkin' on the moon.
Smog will get you pretty soon.

Ship of fools.
Ship of fools.
Ship of fools.
Ship of fools.
Ship of fools.
Ship of fools.
Ship of fools..


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Cinco Segundos de Todas as Músicas Pop nº1

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Five Seconds Of Every #1 Pop Single Part 1

Five Seconds Of Every #1 Pop Single Part 2



O usuário do Soundcloud mjs538 decidiu fazer algo inusitado: juntar numa única faixa 5 segundos de cada música pop nº1 nos EUA.

Interessante para notar a progressão do gênero, algo como um 'documentário musical', como li num dos comentários recebidos à faixa. Infelizmente não consegui a relação das músicas.

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28.6.11

'Rugas', de Nelson Cavaquinho, por Tom Jobim


Direto do arquivo pessoal e canal do Youtube de Valeria Belisario: Tom Jobim, Beth Carvalho e Alcione cantando 'Rugas' de Nelson Cavaquinho.